quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Soneto 3 - Gregório de Matos

 
 
Aos 373 anos do nascimento do maior poeta barroco brasileiro: Gregório de Matos
 
Soneto 3
(Gregório de Matos) 
 
Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história:

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
 
 

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Dicas de Gramática


Particípio do verbo falar...

Como dissemos anteriormente, são três as formas nominais do verbo: infinitivo, gerúndio e particípio.
O nosso particípio originou-se do particípio passado latino (em Latim, eram três os particípios: passado, presente e futuro).
É utilizado geralmente com o sentido passivo, na conjugação da voz passiva (digo geralmente, porque há particípios que possuem significação ativa, quando se denominam particípios depoentes - a pessoa a que estes particípios fazem alusão pratica a ação expressa pelos particípios, em vez de receber a ação: «mulher fingida» = «mulher que finge»; «ficou calado» = «calou-se»; «seja moderado» = «tenha moderação»...).
Há verbos que possuem dois particípios (os chamados verbos abundantes): um regular (também denominado íntegro ou normal) e um irregular (contrato ou anômalo, como também é chamado). Muita vez, o que se aponta como particípio irregular é na verdade um adjetivo.

Embora não haja dificuldades em utilizar o particípio, vem crescendo um péssimo hábito de conjugá-lo de forma incorreta. Destaque para o verbo falar: Muito tenho ouvido pessoas, inclusive dentro das instituições de ensino, dizerem «eu tinha falo». O particípio do verbo falar é falado; nunca falo. Não se trata de um verbo abundante; logo, só há um, e tão-somente um, particípio: o regular.
Falo, quando verbo, é a conjugação na primeira pessoa do singular no presente do modo indicativo.
Se alguém diz «tinha falo», «falo», aí, só pode ser substantivo, nunca um verbo. E, como substantivo, falo é o órgão genital masculino. Quem diz que «tinha falo» está afirmando que «tinha órgão genital masculino», e teria, pelo menos, de explicar como o perdeu - se acidentalmente ou por opção própria...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Dicas de Gramática - O pronome indefinido «todo»



Uso do indefinido «todo»...

Há gramáticos que ensinam que o pronome indefinido «todo» antecedendo o substantivo, no singular, significa «cada», quando desacompanhado do artigo; quando acompanhado do artigo, significa «inteiro».
Razão não lhes assiste. 
Ao indefinido «todo», coletivo universal que corresponde ao «omnis» (cada, qualquer) ou ao «totus» (inteiro) dos latinos, sempre pospõe o artigo, qualquer que seja o sentido que se lhe dê. O artigo é um  verdadeiro apêndice desse indefinido.
A distinção (com ou sem o artigo) não tem fundamento na língua portuguesa. É uma regra francesa [em francês, tem-se «tout», que pode significar «entier» (inteiro), se acompanhado do artigo; ou pode significar «chaque» (qualquer, cada), se desacompanhado do artigo - «tout le livre» (o livro inteiro); «tout livre» (qualquer livro)].
Destarte, deve-se, em português legítimo, escrever sempre com o apêndice articular, qualquer que seja o sentido do indefinido «todo», repita-se: «todo o homem faz sua história» (= cada homem faz sua história); «todo o homem foi queimado» (= o homem inteiro foi queimado).
Eis alguns exemplos que devem ser seguidos:
«Quando já não se acha a cura,
Toda a cura é por demais.» (Camões. El-Rei Seleuco) - qualquer cura...;
«Pode todo o homem vencer cada uma dessas mesmas tentações.» (Padre Antônio Vieira. Sermões) - qualquer homem...;
«Se todo o homem nasce de mulher e de homem.» (Padre Antônio Vieira. Sermões) -  qualquer homem nasce...;
«E que para toda a afeição, para todo o sentimento humano julgava morto o coração cenobita.» (Almeida Garret. Viagens na Minha Terra) - para qualquer afeição, para qualquer  sentimento...;
«Toda a minha vida.» (Ruy Barbosa. Cartas de Inglaterra) - minha vida inteira;
«Por toda a parte.» (Ruy Barbosa. Cartas de Inglaterra) - qualquer parte.
«...mas em todo o caso menos fria do que a princípio estivera.» (Machado de Assis. A Mão e a Luva) - em qualquer caso...;
«Todo o homem público deve ser casado,...». (Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas) - qualquer homem público...;
«...toda a gente viva do ar era da mesma opinião.» (Machado de Assis. Dom Casmurro) - qualquer gente...



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dicas de Gramática - Os erros dos jurisconsultos...



Os erros dos jurisconsultos...

«No que pertine»? Já vi em várias peças processuais (de advogados, membros do MP, juízes, procuradores...) esta aberração: «no que pertine». Acaso existiria o verbo pertinir? Não, definitivamente não há este verbo na Língua Portuguesa. Existe, sim, o verbo concernir, que é utilizado, acertadamente, na locução no que concerne (significando no que diz respeito, no que se refere, no que pertence...). Talvez, por isso, é que alguns afoitos, e por conseguinte incautos, pensam existir o verbo pertinir.
Outro verbo em que muitos juristas de tomo tombam é o subsumir. Erram, repetidamente, sua conjugação: «este fato subsume-se à regra do art. 131»... Errado!
Ora, se o verbo subsumir é derivado do verbo sumir, sua conjugação segue o mesmo paradigma. Como não se diz ele sume, também não se pode dizer subsume. Logo, corretamente se diz assim: «este fato subsome-se à regra do art. 131».


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Carminis X - Herbert Haeckel





Carminis X
(Herbert Haeckel) 

Teus olhos lacrimosos... Por que choras,
Se amor me tens e a ti amor eu tenho?
Nada deves temer se não te floras,
Se aos meus olhos és luz a que me atenho,

Se no algor temerando me acaloras,
Se nos braços teus é que me detenho,
Se tens o viço intenso das auroras,
Mesmo que o tempo atroz marque teu cenho...

Não percebes tu que vem da alma o amor
Sincero? Se mil sóis já se passaram,
Nada importa a quem ama com fervor,

Nada importa a quem ama de verdade,
Porquanto aos corações que já amaram
Não há vaidade, não há vanidade!


sábado, 28 de novembro de 2009

Dicas de Gramática - Uso dos pronomes pessoais...



«Tô com saudade de tu, meu desejo» (da música «Gostoso demais»). Apesar da liberdade poética, esta construção de tu é repugnante aos ouvidos.Tolera-se até o (em lugar de estou...), mas o pronome pessoal do caso reto eu ou tu vir regido por preposição? Não, definitivamente, não está correto! Quem diz que está com saudade de tu não sabe o que é saudade ou não tem saudade de ninguém... O correto é dizer estou com saudade de ti, porque os oblíquos, todos, sim, podem vir regidos por preposição. Da mesma forma, não se pode dizer «entre eu e ela», mas «entre mim e ela (os pronomes retos ele, nós e vós podem funcionar como regimes de preposição), «entre mim e ti», «entre ti e mim», «entre ela e mim», «entre ti e ela», «entre nós e eles»... Por este motivo, também, que se não pode dizer «esta cama é para eu», porquanto eu não pode ser regime de preposição; diz-se, então, «esta cama é para mim». Se houver um verbo no infinitivo após o pronome, o verbo é que passa a ser o regime da preposição; o pronome funciona como sujeito do infinitivo, razão pela qual somente pode vir no caso reto. Deve-se, pois, dizer «esta cama é para eu dormir» - nunca «para mim dormir», porque o oblíquo mim não pode ter função subjetiva.
E por falar em sujeito do infinitivo... Às vezes, somos surpreendidos com afirmações como esta: «vi ela sorrir». Na regra geral, os pronomes pessoais do caso reto têm sempre a função de sujeito; os do caso oblíquo têm função de complemento do verbo. Entretanto, há casos em que o pronome oblíquo desempenha a função de sujeito. Em orações em que entram os verbos deixar, fazer, mandar, ouvir, sentir e ver, e que tenham como objeto outro verbo no infinitivo, os oblíquos são sujeitos do verbo no infinitivo - quando são denominados sujeitos acusativos. Como um pronome reto nunca, sem exceção, pode ser complemento de um verbo, a construção «vi ela sorrir» é incorreta, porque ela sorrir é complemento do verbo ver - ela é sujeito do verbo sorrir, que, por sua vez, é complemento do verbo ver. Então, deve-se assim dizer: «viu-a sorrir». Outros exemplos: «deixei-o jogar primeiro», «fi-la devolver o casaco», «mandei-os construir a casa», «ouviu-a cantar», «sentia-a aproximar», «viram-no escapar pela janela»...


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Soneto 24 - Gregório de Matos



Aos 314 anos da morte do maior dos poetas barrocos brasileiros...




Soneto 24
(Gregório de Matos)

Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara?

Quem veria uma flor, que não a cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que, por seu Deus, o não idolatrara?

Se como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.


 

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Soneto 8 - Herbert Haeckel


Soneto 8
(Herbert Haeckel)

Necrofágica larva a trabalhar, 
Pertinaz, no soturno de um carneiro...
Luta incessantemente, sem falhar,
Pela vida, na morte, o carniceiro.

Incôndito, o vermículo, a talhar
A carne putrefeita ao derradeiro
Aspeto, vai o defunto amortalhar,
Mas não pode roê-lo por inteiro...

Cadaverina, putrescina... Suma
Cadavérica, que o verme incitado
Nutre-se, de apetite mui incomum...

E não há de recusar carne alguma:
Bonito ou feio, pobre ou abastado,
Negro ou branco terá um fim comum!


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Soneto 1 - À Carolina - Machado de Assis


Soneto 1 - À CAROLINA
(Machado de Assis)

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.


 

domingo, 15 de novembro de 2009

A Minha Estrela - Augusto dos Anjos


A Minha Estrela
(Augusto dos Anjos)

E eu disse - Vai-te, estrela do Passado!
Esconde-te no Azul da Imensidade,
Lá onde nunca chegue esta saudade,
- A sombra deste afeto estiolado.

Disse, e a estrela foi p'ra o Céu subindo,
Minh'alma que de longe a acompanhava,
Viu o adeus que do Céu ela enviava,
E quando ela no Azul foi-se sumindo

Surgia a Aurora - a mágica princesa!
E eu vi o Sol do Céu iluminando
A Catedral da Grande Natureza.

Mas a noute chegou, triste, com ela
Negras sombras também foram chegando,
E nunca mais eu vi a minha estrela!





Lirial - Augusto dos Anjos


Lirial
(Augusto dos Anjos)

Por que choras assim, tristonho lírio,
Se eu sou o orvalho eterno que te chora,
P'ra que pendes o cálice que enflora
Teu seio branco do palor do círio?!

Baixa a mim, irmã pálida da Aurora,
Estrela esmaecida do Martírio;
Envolto da tristeza no delírio,
Deixa beijar-te a face que descora!

Fosses antes a rosa purpurina
E eu beijaria a pétala divina
Da rosa, onde não pousa a desventura.

Ai! que ao menos talvez na vida escassa
Não chorasses à sombra da desgraça,
Para eu sorrir à sombra da ventura!



sábado, 14 de novembro de 2009

Eterna Mágoa - Augusto dos Anjos



Eterna Mágoa
(Augusto dos Anjos)

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

No Campo - Augusto dos Anjos


No Campo
(Augusto dos Anjos)

Tarde. Um arroio canta pela umbrosa
Estrada; as águas límpidas alvejam
Como cristais. Aragem suspirosa
Agita os roseirais que ali vicejam.

No alto, entretanto, os astros rumorejam
Um presságio de noute luminosa
E ei-la que assoma - a Louca tenebrosa,
Branca, emergindo às trevas que a negrejam.

Chora a corrente múrmura, e, à dolente
Unção da noute, as flores também choram
Num chuveiro de pétalas, nitente,

Pendem e caem - os roseirais descoram
E elas boiam no pranto da corrente
Que as rosas, ao luar, chorando enfloram.


 

Vencedor - Augusto dos Anjos


Vencedor
(Augusto dos Anjos)

Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E à rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração - estranho carniceiro!

Não podes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pôde domar o prisioneiro.

Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,

Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem...
E não pôde domá-lo, enfim, ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta!


 

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Dicas de Gramática - Uso do gerúndio...


Uso do gerúndio...  

Uma das formas nominais do verbo, o gerúndio tem sido utilizado de forma incorreta. Em particular, ataca-se somente o odioso gerundismo decorrente de um anglicismo (quando se traduz o future continuous). Todavia, é prudente, também, evitar os galicismos, quando da utilização da forma gerundial.

A principal função do gerúndio, em razão da sua correspondência com o particípio presente latino, é a de adjetivo.

Outras funções são atribuídas às formas gerundiais: a) modificativo de um verbo – exercendo a função de adjunto adverbial (de modo, de causa, de concessão, de condição, de meio, de modo e de tempo), e. g. «É o que vais entender, lendo» (Machado de Assis, Dom Casmurro) ; b) para a formação de verbos perifrásticos (locuções verbais) freqüentativos – que indicam a idéia de ação continuada, e. g. «Ele vive estudando» - e incoativos – que, constituídos pelos verbos ir ou vir, junto a um gerúndio de qualquer verbo, expressam a idéia de começo ou desenvolvimento gradual de uma ação, e. g. «Ela vem vindo»; c) predicativo (pode, também, mas raramente, ser utilizado como sujeito), e. g. «Ele está estudando» (predicativo), «Prendendo-o seria cometer terrível injustiça» (sujeito); d) aposto do sujeito, e. g. «Maria, apiedando-se do sofrimento, estendeu-lhe a mão»; e) em orações reduzidas de gerúndio que correspondam ao ablativo absoluto latino, e. g. «não deu por mim, voltou e, abafando a voz, disse que a dificuldade estava na casa ao pé, a gente do Pádua» (Machado de Assis, Dom Casmurro); e, finalmente, f) em orações em que o gerúndio for conversível em uma subordinada adverbial de tempo, iniciada pelo advérbio quando ou pelo infinitivo regido da preposição a, e. g. «Prima Glória pode ser que, em passando os dias, vá esquecendo a promessa» (Machado de Assis, Dom Casmurro).

Qualquer outra função é galicismo ou anglicismo, o que configura um erro.

As construções que têm por base a forma inglesa do future continuous não devem ser traduzidas literalmente, sob pena de cometer um dos famosos gerundismos: «I will be sending» não deve ser traduzido como «eu vou estar enviando», mas como «eu enviarei».  O future continuous é utilizado para descrever ações que ocorrerão num determinado momento no futuro, ou para perguntar sobre os planos de alguém, ou pedir informações sobre algo, de uma forma gentil – a expressão «This time tomorrow I will be working» deve ser traduzida para «Amanhã neste horário trabalharei» (e não para «Amanhã neste horário eu vou estar trabalhando»); «Will you be coming whit your mother?» deve ser traduzido para «Você virá com sua mãe?» (e não para «Você vai estar vindo com sua mãe?»).

Plenilúnio - Augusto dos Anjos


Plenilúnio
 (Augusto dos Anjos)


Desmaia o plenilúnio. A gaze pálida
Que lhe serve de alvíssimo sudário
Respira essências raras, toda a cálida
Mística essência desse alampadário.

E a lua é como um pálido sacrário,
Onde as almas das virgens em crisálida
De seios alvos e de fronte pálida,
Derramam a urna dum perfume vário.

Voga a lua na etérea imensidade!
Ela, eterna noctâmbula do Amor,
Eu, noctâmbulo da Dor e da Saudade.

Ah! como a branca e merencórea lua,
Também envolta num sudário - a Dor,
Minh'alma triste pelos céus flutua!


 

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Árvore da Serra - Augusto dos Anjos


A Árvore da Serra
(Augusto dos Anjos)

- As árvores, meu filho, não têm alma! 
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...

- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dicas de Gramática - Uso do infinitivo...


Uso do infinitivo...

As palavras classificam-se quanto à morfologia (função taxeonômica) e quanto à sintaxe (função sintática).
Morfologicamente, são dez as classes de palavras: substantivo, pronome, adjetivo, advérbio, verbo, preposição, conjunção, numeral, artigo e interjeição. O substantivo nomeia os seres, as coisas, as substâncias. O verbo indica a idéia de ação ou estado.
Os verbos classificam-se quanto à predicação, à voz, à flexão, à conjugação e ao processo de conjugação. As flexões verbais podem ser modais, nominais, temporais, pessoais, numerais e de voz.
A forma modal dos verbos é a maneira como a ação é expressa pelo verbo. Os modos são o indicativo, o subjuntivo e o imperativo.
Quando os verbos podem exercer a função nominal, típica dos substantivos, dos adjetivos e dos advérbios, diz-se que possuem a forma nominal. São formas nominais do verbo: o infinitivo, o particípio e o gerúndio.
O infinitivo é o próprio nome do verbo, ele indica a ação sem situá-la no tempo. São formas infinitivas: amar, comer, sair, ter, haver etc.

É constante ver pessoas utilizando mal o infinitivo. Orações como estas a seguir, apesar de comuníssimas, em que se utilizam o infinitivo no lugar de verbos na forma modal, estão erradas: «como estar você?», «o menino ler a cartilha», «eu construir uma casa», «eu sumir no salão», «ele crer na honestidade»... Correto é «como está você?», «o menino a cartilha», «eu construí uma casa», «eu sumi no salão», «ele crê na honestidade»; isto é, com os verbos conjugados na forma modal.
Há uma maneira de evitar o grave erro, quando se tem dúvida quanto à utilização da forma modal ou da nominal. Vejamo-la: substitui-se o verbo por um substantivo; se a oração tiver sentido, o verbo deve ser utilizado no infinitivo, ex: amar é bom – ao substituir o verbo amar por um substantivo qualquer, a oração não perderia o sentido (chocolate é bom; amor é bom; livro é bom...). Mas, se o verbo for modal, nenhum sentido terá quando houver a substituição do verbo por um substantivo: «ele crê na honestidade»; ao mudar o verbo por um substantivo, ver-se-á que não há sentido algum na construção – «ele pássaro na honestidade» (trocamos o verbo crer pelo substantivo pássaro, e nenhum sentido há na construção; logo, o verbo tem de vir conjugado na forma modal).


Luís Guimarães Júnior




LUÍS CAETANO PEREIRA GUIMARÃES JÚNIOR. Poeta, romancista, teatrólogo e diplomata brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 17 de fevereiro de 1845; morreu em Lisboa, em 20 de maio de 1898.
Aos dezesseis anos, escreveu o romance Lírio Branco, dedicado a Machado de Assis.
Iniciou o curso de Direito, em 1863, na Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo, SP. Bacharelou-se na Faculdade de Direito do Recife, em 1869, na turma de Araripe Júnior. Conviveu, quando de seus estudos no Recife, com Castro Alves e Tobias Barreto, e viu nascer a escola condoreira, da qual tomou parte.
Ainda em 1869, publicou  seu primeiro livro de poesia: Corimbos.
Foi um dos dez membros eleitos para completar o quadro de fundadores da Academia Brasileira de Letras, na qual criou a Cadeira n° 31, que tem como patrono o poeta Pedro Luís.
Suas principais obras são Corimbos e Sonetos e Rimas.
Sua obra transitou do Romantismo ao Parnasianismo.



Visita à Casa Paterna

Como a ave que volta ao ninho antigo
Depois de um longo e tenebroso inverno,
Eu quis também rever o lar paterno,
O meu primeiro e virginal abrigo.

Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
O fantasma talvez do amor materno,
Tomou-me as mãos, - olhou-me, grave e terno,
E, passo a passo, caminhou comigo.

Era esta a sala... (Oh! se me lembro! e quanto!)
Em que da luz noturna à claridade
Minhas irmãs e minha mãe... O pranto

Jorrou-me em ondas... Resistir quem há-de?
Uma ilusão gemia em cada canto,
Chorava em cada canto uma saudade.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dicas de Gramática - Sinclitismo

Sinclitismo


Pronome é a palavra que substitui (ou pode substituir) o nome. Segundo a classificação, o pronome pode ser pessoal, demonstrativo, possessivo, indefinido, relativo e interrogativo. O pronome de tratamento é um pronome pessoal, que é a palavra ou expressão que substitui a terceira pessoa gramatical. Interessa-nos, neste momento, o pronome pessoal, que se define como sendo a palavra que, além de substituir o nome, põe-no em relação a uma pessoa gramatical. O pronome pessoal pode ser, a depender da função sintática que exerce¸ do caso reto ou do caso oblíquo. Os pronomes pessoais do caso reto têm função subjetiva, isto é, têm a função de sujeito. São pronomes pessoais do caso reto: eu, tu, ele/ela, nós, vós e eles/elas. Os pronomes pessoais do caso oblíquo têm a função de complemento verbal. Os oblíquos podem, segundo a acentuação própria, ser classificados em tônicos e átonos (não se deve confundir acento tônico com acento gráfico; o primeiro diz respeito à sílaba que é pronunciada com maior força; o segundo, à representação gráfica da sílaba tônica, ex.: casa é uma palavra tônica, ou seja, ela é acentuada, ela possui acento tônico, localizado na penúltima sílaba; todavia, o acento tônico não é representado pelo acento gráfico; lápis, por sua vez, tem acento tônico, localizado também na penúltima sílaba, representado por um acento gráfico).Toda a palavra átona, ou seja, que não possui acentuação própria, não possui autonomia prosódica. Os pronomes oblíquos átonos não possuem, portanto, autonomia prosódica. Logo, devem vir apoiados no acento do verbo. Como regra geral, tem-se a posposição do oblíquo ao verbo, isto é, os pronomes devem ser enclíticos. As exceções levam às construções proclíticas e mesoclíticas. Há casos em que o verbo perde sua força enclítica, o que faz o pronome ser deslocado para antes do verbo (próclise) ou para o meio dele (mesóclise). Em particular, é interessante como se vê - inclusive em autores consagrados - uma comuníssima, mas errada, colocação do oblíquo: solto entre dois verbos. Ora, se os oblíquos átonos não têm autonomia prosódica, como dissemos no início, não podem vir soltos entre dois verbos, obrigando-os a apoiarem-se no acento de um dos verbos. Destarte, construções como estas são erradas: «está se formando», «vim lhe dizer», «foi me entregar», «tinha se esgotado» etc... Corretamente, escreve-se assim: «está-se formando», «vim-lhe dizer», «foi-me entregar», «mandou-te entregar», «foi-me contando», «tinha-se esgotado»... Exemplos que devem ser seguidos: «Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, ...» (Machado de Assis, Dom Casmurro), «... e redarguiu-lhe sorrindo que não tivesse medo.» (Machado de Assis, O Alienista), «... não pode deixar de ter-se desvanecido, ...» (Joaquim Nabuco, A República é incontestável), «... para conseguir fazer-se ouvir da velha ...» (Júlio Ribeiro, A Carne), «E o facies daquele sertão inóspito vai-se esboçando, lenta e impressionadoramente...»(Euclides da Cunha, Os Sertões), «Ela se abaixava, deixava-se pegar, ...» (Fernando Sabino, O Encontro Marcado)... Exemplos, pois, que não devem ser seguidos: «saber exatamente o que estava se passando em seu país e no resto do mundo» (Paulo Coelho, A Bruxa de Portobello), «Você faz parte, mas não vou lhe contar como, não tem importância.» (João Ubaldo Ribeiro, A Casa dos Budas Ditosos), «Já vem ele ali, Juca, foi se despedir da namorada...» (João Guimarães Rosa, Sagarana), «São momentos em que a "máquina da vida" parece se explicar...» (Arnaldo Jabor, Amor é prosa, sexo é poesia), «No jogo de capoeira de Angola ninguém pode se medir...» (Jorge Amado, Capitães de Areia)...




Pensamentos...



«Mesmo a mulher mais sincera esconde algum segredo no fundo do seu coração.» (Kant)

«Assim como se diz que a hipocrisia é o maior elogio da virtude, a arte de mentir é o mais forte reconhecimento da força da verdade.» (William Hazlitt)

«Conhecer a verdade não é o mesmo que amá-la e amar a verdade não equivale a deleitar-se com ela.» (Confúcio)

«A água corre tranqüila quando o rio é fundo.» (William Shakespeare)

«O repouso é bom, mas o tédio é irmão do repouso.» (Voltaire)

«Você será avarento se conviver com homens mesquinhos e avarentos. Será vaidoso se conviver com homens arrogantes. Jamais se livrará da crueldade se compartilhar sua casa com um torturador. Alimentará sua luxúria confraternizando-se com os adúlteros. Se quer livrar-se de seus vícios, mantenha-se afastado do exemplo dos viciados.» (Sêneca)

«É extremamente fácil enganar a si mesmo, pois o homem geralmente acredita no que deseja» (Demóstenes)

«Precisamos parecer um pouco com os outros para compreender os outros, mas precisamos ser um pouco diferentes para amá-los.» (Paul Géraldy)

«O que sabemos é uma gota e o que ignoramos é um oceano.» (Isaac Newton)

«Na atual sociedade, em que os valores estão invertidos, o dinheiro é capaz de comprar tudo, inclusive a verdade, a amizade e o amor. Mas, findo o dinheiro, esgotam-se, também, e ao mesmo tempo, as verdades, as amizades e os amores por ele comprados.» (Herbert Haeckel)

Curiosidades

Calcula-se que há 100 milhões de insetos para cada ser humano.

A maior borboleta do mundo é a Queen Alexandra Birdwing, encontrada numa pequena área da floresta tropical no norte da Papua Nova Guiné. A fêmea, que é maior que o macho, pode chegar a 31 cm de envergadura e ter massa de até 12kg. Está ameaçada de extinção, em razão da destruição de seu habitat natural.

O órgão sexual da aranha macha está localizado no final de uma de suas patas.

As abelhas possuem cinco olhos; três pequenos no topo da cabeça e os dois maiores na frente.

Alguns insetos conseguem viver até um ano sem a cabeça.

Uma barata pode viver até 6 dias sem a cabeça; acaba morrendo de fome, porque não tem como se alimentar.

As formigas comunicam-se por meio do olfato.

Mosquitos são atraídos duas vezes mais pela cor azul do que por qualquer outra cor.

O inseto com o maior cérebro em relação ao tamanho do corpo é a formiga.

Os mosquitos fêmeos chupam o sangue, porque necessitam das proteínas para desenvolver os ovos que carregam.

Uma asa de mosquito move-se mil vezes a cada segundo.

As moscas domésticas vivem apenas 2 semanas.

Os mosquitos causaram mais mortes do que todas as guerras juntas.

A luz dos vaga-lumes é produzida pela oxidação de uma substância química chamada luciferina na presença de uma enzima chamada luciferase, de ATP (fonte de energia) e de magnésio. A cor e o ritmo da luz variam de acordo com a espécie. O animal pode controlar a produção, a duração e a intermitência (quantas vezes acende e apaga) da luz. A luminescência é um aviso aos inimigos para que se afastem. Nos adultos, também tem a função de atrair a fêmea para o acasalamento.