terça-feira, 2 de março de 2010

Momento Haikai IV - Herbert Haeckel



A Morte da Floresta - óleo sobre tela de Marcelo Malheiros Teixeira


Momento Haikai IV
(Herbert Haeckel)

Chamas na floresta...
Antes, um balão no céu:
Natureza morta!



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Soneto 12 - Herbert Haeckel



Luar em Barra Grande - óleo sobre tela de Spinelli d'Brito


Soneto 12
(Herbert Haeckel)

O céu de estrelas... Um jardim florido...
Flores que piscam no infinito páramo,
Em noite clara de luar luzido,
Como um pálio coberto de recamo...

Estrela, flor, adorno colorido,
Da noite bela, donde emana o bálsamo,
A serenar o coração ferido,
Desde o dia em que deixaste o tálamo...

Como a flor que murcha sem luz, sem água,
Meu peito morre sem o teu calor,
E a boca seca sem o lábio teu...

Não mais, estrelas, me deixais à míngua!
Chamai por ela, do jardim a flor,
E extirpai, enfim, a dor que me abateu!




quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Momento Haikai III - Herbert Haeckel




Vôo Noturno - acrílica sobre tela de Orbetelli


Momento Haikai III
(Herbert Haeckel)

Um pássaro voa
Na azulada imensidade...
Voa, liberdade!


Momento Haikai II - Herbert Haeckel




Natureza Morta - pastel seco de Lourdes Collina

Momento Haikai II
(Herbert Haeckel) 

Natureza-morta...
Uma adaga, uma flor pálida:
Sangue sobre a tela.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Alma dos Vinte Anos - Alberto de Oliveira





A Carta - óleo sobre tela de Rosah Casanova


A Alma dos Vinte Anos
(Alberto de Oliveira)

A alma dos meus vinte anos noutro dia
Senti volver-me ao peito, e pondo fora
A outra, a enferma, que lá dentro mora,
Ria em meus lábios, em meus olhos ria.

Achava-me ao teu lado então, Luzia,
E da idade que tens na mesma aurora;
A tudo o que já fui, tornava agora,
Tudo o que ora não sou, me renascia.

Ressenti da paixão primeira e ardente
A febre, ressurgiu-me o amor antigo
Com os seus desvarios e com os seus enganos...

Mas ah! quando te foste, novamente
A alma de hoje tornou a ser comigo,
E foi contigo a alma dos meus vinte anos.





Êxtase - Cruz e Souza




Espera - acrílica sobre tela de Cristiane Campos


Êxtase
(Cruz e Souza) 

Quando vens para mim, abrindo os braços
Numa carícia lânguida e quebrada,
Sinto o esplendor de cantos de alvorada
Na amorosa fremência dos teus passos. 


Partindo os duros e terrestres laços,
A alma tonta, em delírio, alvoroçada,
Sobe dos astros a radiosa escada
Atravessando a curva dos espaços. 


Vens, enquanto que eu, perplexo d'espanto,
Mal te posso abraçar, gozar-te o encanto
Dos seios, dentre esses rendados folhos. 


Nem um beijo te dou! abstrato e mudo
Diante de ti, sinto-te, absorto em tudo,
Uns rumores de pássaros nos olhos.



Momento Haikai - Herbert Haeckel




Abstrato - óleo sobre tela de Justen Vanrenolt


Momento Haikai
(Herbert Haeckel)


Andava soturno,
Com a mão no coração.
Infarto? É amor...



A Uma Dama - Gregório de Matos






Marinha Prateada - óleo sobre tela de Lourdes Collina



A Uma Dama
(Gregório de Matos)

Vês esse Sol de luzes coroado,
Em pérolas a Aurora convertida;
Vês a Lua, de estrelas guarnecida;
Vês o Céu, de planetas adornado?

O céu deixemos: vês, naquele prado,
A rosa com razão desvanecida,
A açucena por alva presumida,
O cravo por galã lisonjeado?

Deixa o prado: vem cá, minha adorada:
Vês desse mar a esfera cristalina
Em sucessivo aljôfar desatada?

Parece aos olhos ser de prata fina...
Vês tudo isto bem? Pois tudo é nada
À vista do teu rosto, Catarina.



 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

2ª Sombra - Bárbara - Castro Alves





Dama Antiga com Plumas - óleo sobre tela de Lourdes Collina


2ª Sombra - Bárbara
(Castro Alves)

Erguendo o cálix que o Xerez perfuma.
Loura a trança alastrando-lhe os joelhos,
Dentes níveos em lábios tão vermelhos,
Como boiando em purpurina escuma;


Um dorso de Valquíria... alvo de bruma,
Pequenos pés sob infantis artelhos,
Olhos vivos, tão vivos, como espelhos,
Mas como eles também sem chama alguma;


Garganta de um palor alabastrino,
Que harmonias e músicas respira...
No lábio - um beijo... no beijar - um hino;


Harpa eólia a esperar que o vento a fira,
- Um pedaço de mármore divino...
- É o retrato de Bárbara - a Hetaira.





domingo, 24 de janeiro de 2010

Soneto 11 - Herbert Haeckel





Miragem em alto-mar - óleo sobre eucatex de Carlos Pinto


Soneto 11
(Herbert Haeckel) 

Fala-me a rosa perfumada, lírica,
Do orvalho gélido da noite escura.
Fala-me da aurora alva, assim, eufórica,
Da levíssima brisa, com candura...

Fala-me a rosa da emoção onírica,
Da paixão, dos amantes a aventura,
Fala-me das canções, da imagem feérica,
Da Lua e do Sol, com plena ternura...

Ah, rosa! Que me tens a dizer mais?
Dize-me agora onde estará aquela
Que meu coração, lúgubre, levou!

«Não posso!» - a rosa disse-me - «Jamais
Teu coração levado foi por ela...
Levaste o dela, que a ti o entregou!».





Anoitecer - Raimundo Correia





São Francisco - O Rio de Todas as Cores - óleo sobre tela de Spinelli d'Brito 


Anoitecer
(Raimundo Correia)

Esbraseia o Ocidente na Agonia
O sol... Aves, em bandos destacados,
Por céus de ouro e de púrpuras raiados,
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...

Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia...

Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra, à proporção que a luz recua...

A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.





sábado, 23 de janeiro de 2010

Ciclo - Olavo Bilac



 
Recordações - acrílica sobre tela de Orbetelli


Ciclo
(Olavo Bilac)

Manhã. Sangue em delírio, verde gomo,
Promessa ardente, berço e liminar:
A árvore pulsa, no primeiro assomo
Da vida, inchando a seiva ao sol... Sonhar!

Dia. A flor - o noivado e o beijo, como
Em perfumes um tálamo e um altar:
A árvore abre-se em riso, espera o pomo,
E canta à voz dos pássaros... Amar!

Tarde. Messe e esplendor, glória e tributo;
A árvore maternal levanta o fruto,
A hóstia da idéia em perfeição... Pensar!

Noite. Oh! Saudade!... A dolorosa rama
Da árvore aflita pelo chão derrama
As folhas, como lágrimas... Lembrar! 



Crença - Cruz e Souza




Ocaso em Fernando de Noronha - óleo sobre tela de Spinelli d'Brito


Crença
(Cruz e Souza)

Filha do céu, a pura crença é isto
Que eu vejo em ti, na vastidão das cousas,
Nessa mudez castíssima das lousas,
No belo rosto sonhador do Cristo.

A crença é tudo quanto tenho visto
Nos olhos teus, quando a cabeça pousas
Sobre o meu colo e que dizer não ousas
Todo esse amor que eu venço e que conquisto.

A crença é ter os peregrinos olhos
Abertos sempre aos ríspidos escolhos;
Tê-los à frente de qualquer farol

E conservá-los, simplesmente acesos
Como dois fachos - engastados, presos
Nas radiações prismáticas do sol!





Soneto XXX - Cláudio Manuel da Costa




Campo - óleo sobre tela de Silvana Oliveira


Soneto XXX
(Cláudio Manuel da Costa) 

Não se passa, meu bem, na noite, e dia
Uma hora só, que a mísera lembrança
Te não tenha presente na mudança,
Que fez, para meu mal, minha alegria.

Mil imagens debuxa a fantasia,
Com que mais me atormenta e mais me cansa:
Pois se tão longe estou de uma esperança,
Que alívio pode dar me esta porfia!

Tirano foi comigo o fado ingrato;
Que crendo, em te roubar, pouca vitória,
Me deixou para sempre o teu retrato:

Eu me alegrara da passada glória,
Se quando me faltou teu doce trato,
Me faltara também dele a memória.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Soneto 10 - Herbert Haeckel




Perfil de Ouro Preto - acrílica sobre tela de Croskey


Soneto 10
(Herbert Haeckel) 

Sonho... Apenas um sonho, nada mais...
Via-te, linda e harmoniosa, luz
Dos olhos meus, clarão que tremeluz,
Beleza incomum, não vista jamais.

Acordei e, de tristezas abismais,
A lacerar meu peito - eis minha cruz! -,
Chorei, longe do olhar que me seduz,
Lágrimas pesarosas por demais!

Minhas noites - ah, como eu as desejo! -,
De fantasias, sonhos, que te trazem
Para junto a mim, são-me alegre festa...

Mas, ao raiar do dia, lacrimejo,
Pois os sonhos em que te vejo jazem,
Deixando-me tão-só a dor funesta!


As Montanhas II - Augusto dos Anjos




Noite nas Montanhas IV - acrílica sobre tela de Rodrigo Brasil



As Montanhas -  II
(Augusto dos Anjos)

Agora, oh! deslumbrada alma perscruta
O puerpério geológico interior,
De onde rebenta, em contrações de dor,
Toda a sublevação da crusta hirsuta!

No curso inquieto da terráquea luta
Quantos desejos férvidos de amor
Não dormem, recalcados, sob o horror
Dessas agregações de pedra bruta?!

Como nesses relevos orográfícos,
Inacessíveis aos humanos tráficos
Onde sóis, em semente, amam jazer,

Quem sabe, alma, se o que ainda não existe
Não vive em gérmen no agregado triste
Da síntese sombria do meu Ser?!



Soneto Circular - Machado de Assis




Paixão - acrílica sobre tela de Orbetelli



Soneto Circular
(Machado de Assis) 

A bela dama ruiva e descansada,
De olhos longos, macios e perdidos,
Co'um dos dedos calçados e compridos
Marca a recente página fechada.

Cuidei que, assim pensando, assim colada
Da fina tela aos flóridos tecidos,
Totalmente calados os sentidos,
Nada diria, totalmente nada.

Mas, eis da tela se despega e anda,
E diz-me: - "Horácio, Heitor, Cibrão, Miranda,
C. Pinto, X. Silveira, F. Araújo,

Mandam-me aqui para viver contigo."
Ó bela dama, a ordens tais não fujo.
Que bons amigos são! Fica comigo.




quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Noites Amadas - Auta de Souza





O Abraço da Noite - acrílica sobre tela de Orbetelli  


Noites Amadas
(Auta de Souza) 

Ó noites claras de lua cheia!
Em vosso seio, noites chorosas,
Minh'alma canta como a sereia,
Vive cantando n'um mar de rosas;

Noites queridas que Deus prateia
Com a luz dos sonhos das nebulosas,
Ó noites claras de lua cheia,
Como eu vos amo, noites formosas!

Vós sois um rio de luz sagrada
Onde, sonhando, passa embalada
Minha Esperança de mágoas nua...

Ó noites claras de lua plena
Que encheis a terra de paz serena,
Como eu vos amo, noites de lua! 




Soneto IX - Olavo Bilac





A Dor do Amor - óleo sobre tela de Venicio Nogueira


Soneto IX
(Olavo Bilac)

De outras sei que se mostram menos frias,
Amando menos do que amar pareces.
Usam todas de lágrimas e preces:
Tu de acerbas risadas e ironias.

De modo tal minha atenção desvias,
Com tal perícia meu engano teces,
Que, se gelado o coração tivesses,
Certo, querida, mais ardor terias.

Olho-te: cega ao meu olhar te fazes ...
Falo-te - e com que fogo a voz levanto! -
Em vão... Finges-te surda às minhas frases...

Surda: e nem ouves meu amargo pranto!
Cega: e nem vês a nova dor que trazes
À dor antiga que doía tanto!



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Soneto LXXV - Alphonsus de Guimaraens




Quando o Sol se Vai - óleo sobre tela de Paula França


Soneto LXXV
(Alphonsus de Guimaraens)

Como se moço e não bem velho eu fosse
Uma nova ilusão veio animar-me.
Na minh'alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.

Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se
Todo em raios que vinham desolar-me.

Vi-me no cimo eterno da montanha,
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.

Acordei do áureo sonho em sobressalto:
Do céu tombei aos caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi tão alto...



Pensamentos...



«Mesmo a mulher mais sincera esconde algum segredo no fundo do seu coração.» (Kant)

«Assim como se diz que a hipocrisia é o maior elogio da virtude, a arte de mentir é o mais forte reconhecimento da força da verdade.» (William Hazlitt)

«Conhecer a verdade não é o mesmo que amá-la e amar a verdade não equivale a deleitar-se com ela.» (Confúcio)

«A água corre tranqüila quando o rio é fundo.» (William Shakespeare)

«O repouso é bom, mas o tédio é irmão do repouso.» (Voltaire)

«Você será avarento se conviver com homens mesquinhos e avarentos. Será vaidoso se conviver com homens arrogantes. Jamais se livrará da crueldade se compartilhar sua casa com um torturador. Alimentará sua luxúria confraternizando-se com os adúlteros. Se quer livrar-se de seus vícios, mantenha-se afastado do exemplo dos viciados.» (Sêneca)

«É extremamente fácil enganar a si mesmo, pois o homem geralmente acredita no que deseja» (Demóstenes)

«Precisamos parecer um pouco com os outros para compreender os outros, mas precisamos ser um pouco diferentes para amá-los.» (Paul Géraldy)

«O que sabemos é uma gota e o que ignoramos é um oceano.» (Isaac Newton)

«Na atual sociedade, em que os valores estão invertidos, o dinheiro é capaz de comprar tudo, inclusive a verdade, a amizade e o amor. Mas, findo o dinheiro, esgotam-se, também, e ao mesmo tempo, as verdades, as amizades e os amores por ele comprados.» (Herbert Haeckel)

Curiosidades

Calcula-se que há 100 milhões de insetos para cada ser humano.

A maior borboleta do mundo é a Queen Alexandra Birdwing, encontrada numa pequena área da floresta tropical no norte da Papua Nova Guiné. A fêmea, que é maior que o macho, pode chegar a 31 cm de envergadura e ter massa de até 12kg. Está ameaçada de extinção, em razão da destruição de seu habitat natural.

O órgão sexual da aranha macha está localizado no final de uma de suas patas.

As abelhas possuem cinco olhos; três pequenos no topo da cabeça e os dois maiores na frente.

Alguns insetos conseguem viver até um ano sem a cabeça.

Uma barata pode viver até 6 dias sem a cabeça; acaba morrendo de fome, porque não tem como se alimentar.

As formigas comunicam-se por meio do olfato.

Mosquitos são atraídos duas vezes mais pela cor azul do que por qualquer outra cor.

O inseto com o maior cérebro em relação ao tamanho do corpo é a formiga.

Os mosquitos fêmeos chupam o sangue, porque necessitam das proteínas para desenvolver os ovos que carregam.

Uma asa de mosquito move-se mil vezes a cada segundo.

As moscas domésticas vivem apenas 2 semanas.

Os mosquitos causaram mais mortes do que todas as guerras juntas.

A luz dos vaga-lumes é produzida pela oxidação de uma substância química chamada luciferina na presença de uma enzima chamada luciferase, de ATP (fonte de energia) e de magnésio. A cor e o ritmo da luz variam de acordo com a espécie. O animal pode controlar a produção, a duração e a intermitência (quantas vezes acende e apaga) da luz. A luminescência é um aviso aos inimigos para que se afastem. Nos adultos, também tem a função de atrair a fêmea para o acasalamento.