quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Momento Haikai III - Herbert Haeckel




Vôo Noturno - acrílica sobre tela de Orbetelli


Momento Haikai III
(Herbert Haeckel)

Um pássaro voa
Na azulada imensidade...
Voa, liberdade!


Momento Haikai II - Herbert Haeckel




Natureza Morta - pastel seco de Lourdes Collina

Momento Haikai II
(Herbert Haeckel) 

Natureza-morta...
Uma adaga, uma flor pálida:
Sangue sobre a tela.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Alma dos Vinte Anos - Alberto de Oliveira





A Carta - óleo sobre tela de Rosah Casanova


A Alma dos Vinte Anos
(Alberto de Oliveira)

A alma dos meus vinte anos noutro dia
Senti volver-me ao peito, e pondo fora
A outra, a enferma, que lá dentro mora,
Ria em meus lábios, em meus olhos ria.

Achava-me ao teu lado então, Luzia,
E da idade que tens na mesma aurora;
A tudo o que já fui, tornava agora,
Tudo o que ora não sou, me renascia.

Ressenti da paixão primeira e ardente
A febre, ressurgiu-me o amor antigo
Com os seus desvarios e com os seus enganos...

Mas ah! quando te foste, novamente
A alma de hoje tornou a ser comigo,
E foi contigo a alma dos meus vinte anos.





Êxtase - Cruz e Souza




Espera - acrílica sobre tela de Cristiane Campos


Êxtase
(Cruz e Souza) 

Quando vens para mim, abrindo os braços
Numa carícia lânguida e quebrada,
Sinto o esplendor de cantos de alvorada
Na amorosa fremência dos teus passos. 


Partindo os duros e terrestres laços,
A alma tonta, em delírio, alvoroçada,
Sobe dos astros a radiosa escada
Atravessando a curva dos espaços. 


Vens, enquanto que eu, perplexo d'espanto,
Mal te posso abraçar, gozar-te o encanto
Dos seios, dentre esses rendados folhos. 


Nem um beijo te dou! abstrato e mudo
Diante de ti, sinto-te, absorto em tudo,
Uns rumores de pássaros nos olhos.



Momento Haikai - Herbert Haeckel




Abstrato - óleo sobre tela de Justen Vanrenolt


Momento Haikai
(Herbert Haeckel)


Andava soturno,
Com a mão no coração.
Infarto? É amor...



A Uma Dama - Gregório de Matos






Marinha Prateada - óleo sobre tela de Lourdes Collina



A Uma Dama
(Gregório de Matos)

Vês esse Sol de luzes coroado,
Em pérolas a Aurora convertida;
Vês a Lua, de estrelas guarnecida;
Vês o Céu, de planetas adornado?

O céu deixemos: vês, naquele prado,
A rosa com razão desvanecida,
A açucena por alva presumida,
O cravo por galã lisonjeado?

Deixa o prado: vem cá, minha adorada:
Vês desse mar a esfera cristalina
Em sucessivo aljôfar desatada?

Parece aos olhos ser de prata fina...
Vês tudo isto bem? Pois tudo é nada
À vista do teu rosto, Catarina.



 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

2ª Sombra - Bárbara - Castro Alves





Dama Antiga com Plumas - óleo sobre tela de Lourdes Collina


2ª Sombra - Bárbara
(Castro Alves)

Erguendo o cálix que o Xerez perfuma.
Loura a trança alastrando-lhe os joelhos,
Dentes níveos em lábios tão vermelhos,
Como boiando em purpurina escuma;


Um dorso de Valquíria... alvo de bruma,
Pequenos pés sob infantis artelhos,
Olhos vivos, tão vivos, como espelhos,
Mas como eles também sem chama alguma;


Garganta de um palor alabastrino,
Que harmonias e músicas respira...
No lábio - um beijo... no beijar - um hino;


Harpa eólia a esperar que o vento a fira,
- Um pedaço de mármore divino...
- É o retrato de Bárbara - a Hetaira.





domingo, 24 de janeiro de 2010

Soneto 11 - Herbert Haeckel





Miragem em alto-mar - óleo sobre eucatex de Carlos Pinto


Soneto 11
(Herbert Haeckel) 

Fala-me a rosa perfumada, lírica,
Do orvalho gélido da noite escura.
Fala-me da aurora alva, assim, eufórica,
Da levíssima brisa, com candura...

Fala-me a rosa da emoção onírica,
Da paixão, dos amantes a aventura,
Fala-me das canções, da imagem feérica,
Da Lua e do Sol, com plena ternura...

Ah, rosa! Que me tens a dizer mais?
Dize-me agora onde estará aquela
Que meu coração, lúgubre, levou!

«Não posso!» - a rosa disse-me - «Jamais
Teu coração levado foi por ela...
Levaste o dela, que a ti o entregou!».





Anoitecer - Raimundo Correia





São Francisco - O Rio de Todas as Cores - óleo sobre tela de Spinelli d'Brito 


Anoitecer
(Raimundo Correia)

Esbraseia o Ocidente na Agonia
O sol... Aves, em bandos destacados,
Por céus de ouro e de púrpuras raiados,
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...

Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia...

Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra, à proporção que a luz recua...

A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.





sábado, 23 de janeiro de 2010

Ciclo - Olavo Bilac



 
Recordações - acrílica sobre tela de Orbetelli


Ciclo
(Olavo Bilac)

Manhã. Sangue em delírio, verde gomo,
Promessa ardente, berço e liminar:
A árvore pulsa, no primeiro assomo
Da vida, inchando a seiva ao sol... Sonhar!

Dia. A flor - o noivado e o beijo, como
Em perfumes um tálamo e um altar:
A árvore abre-se em riso, espera o pomo,
E canta à voz dos pássaros... Amar!

Tarde. Messe e esplendor, glória e tributo;
A árvore maternal levanta o fruto,
A hóstia da idéia em perfeição... Pensar!

Noite. Oh! Saudade!... A dolorosa rama
Da árvore aflita pelo chão derrama
As folhas, como lágrimas... Lembrar! 



Crença - Cruz e Souza




Ocaso em Fernando de Noronha - óleo sobre tela de Spinelli d'Brito


Crença
(Cruz e Souza)

Filha do céu, a pura crença é isto
Que eu vejo em ti, na vastidão das cousas,
Nessa mudez castíssima das lousas,
No belo rosto sonhador do Cristo.

A crença é tudo quanto tenho visto
Nos olhos teus, quando a cabeça pousas
Sobre o meu colo e que dizer não ousas
Todo esse amor que eu venço e que conquisto.

A crença é ter os peregrinos olhos
Abertos sempre aos ríspidos escolhos;
Tê-los à frente de qualquer farol

E conservá-los, simplesmente acesos
Como dois fachos - engastados, presos
Nas radiações prismáticas do sol!





Soneto XXX - Cláudio Manuel da Costa




Campo - óleo sobre tela de Silvana Oliveira


Soneto XXX
(Cláudio Manuel da Costa) 

Não se passa, meu bem, na noite, e dia
Uma hora só, que a mísera lembrança
Te não tenha presente na mudança,
Que fez, para meu mal, minha alegria.

Mil imagens debuxa a fantasia,
Com que mais me atormenta e mais me cansa:
Pois se tão longe estou de uma esperança,
Que alívio pode dar me esta porfia!

Tirano foi comigo o fado ingrato;
Que crendo, em te roubar, pouca vitória,
Me deixou para sempre o teu retrato:

Eu me alegrara da passada glória,
Se quando me faltou teu doce trato,
Me faltara também dele a memória.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Soneto 10 - Herbert Haeckel




Perfil de Ouro Preto - acrílica sobre tela de Croskey


Soneto 10
(Herbert Haeckel) 

Sonho... Apenas um sonho, nada mais...
Via-te, linda e harmoniosa, luz
Dos olhos meus, clarão que tremeluz,
Beleza incomum, não vista jamais.

Acordei e, de tristezas abismais,
A lacerar meu peito - eis minha cruz! -,
Chorei, longe do olhar que me seduz,
Lágrimas pesarosas por demais!

Minhas noites - ah, como eu as desejo! -,
De fantasias, sonhos, que te trazem
Para junto a mim, são-me alegre festa...

Mas, ao raiar do dia, lacrimejo,
Pois os sonhos em que te vejo jazem,
Deixando-me tão-só a dor funesta!


As Montanhas II - Augusto dos Anjos




Noite nas Montanhas IV - acrílica sobre tela de Rodrigo Brasil



As Montanhas -  II
(Augusto dos Anjos)

Agora, oh! deslumbrada alma perscruta
O puerpério geológico interior,
De onde rebenta, em contrações de dor,
Toda a sublevação da crusta hirsuta!

No curso inquieto da terráquea luta
Quantos desejos férvidos de amor
Não dormem, recalcados, sob o horror
Dessas agregações de pedra bruta?!

Como nesses relevos orográfícos,
Inacessíveis aos humanos tráficos
Onde sóis, em semente, amam jazer,

Quem sabe, alma, se o que ainda não existe
Não vive em gérmen no agregado triste
Da síntese sombria do meu Ser?!



Soneto Circular - Machado de Assis




Paixão - acrílica sobre tela de Orbetelli



Soneto Circular
(Machado de Assis) 

A bela dama ruiva e descansada,
De olhos longos, macios e perdidos,
Co'um dos dedos calçados e compridos
Marca a recente página fechada.

Cuidei que, assim pensando, assim colada
Da fina tela aos flóridos tecidos,
Totalmente calados os sentidos,
Nada diria, totalmente nada.

Mas, eis da tela se despega e anda,
E diz-me: - "Horácio, Heitor, Cibrão, Miranda,
C. Pinto, X. Silveira, F. Araújo,

Mandam-me aqui para viver contigo."
Ó bela dama, a ordens tais não fujo.
Que bons amigos são! Fica comigo.




quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Noites Amadas - Auta de Souza





O Abraço da Noite - acrílica sobre tela de Orbetelli  


Noites Amadas
(Auta de Souza) 

Ó noites claras de lua cheia!
Em vosso seio, noites chorosas,
Minh'alma canta como a sereia,
Vive cantando n'um mar de rosas;

Noites queridas que Deus prateia
Com a luz dos sonhos das nebulosas,
Ó noites claras de lua cheia,
Como eu vos amo, noites formosas!

Vós sois um rio de luz sagrada
Onde, sonhando, passa embalada
Minha Esperança de mágoas nua...

Ó noites claras de lua plena
Que encheis a terra de paz serena,
Como eu vos amo, noites de lua! 




Soneto IX - Olavo Bilac





A Dor do Amor - óleo sobre tela de Venicio Nogueira


Soneto IX
(Olavo Bilac)

De outras sei que se mostram menos frias,
Amando menos do que amar pareces.
Usam todas de lágrimas e preces:
Tu de acerbas risadas e ironias.

De modo tal minha atenção desvias,
Com tal perícia meu engano teces,
Que, se gelado o coração tivesses,
Certo, querida, mais ardor terias.

Olho-te: cega ao meu olhar te fazes ...
Falo-te - e com que fogo a voz levanto! -
Em vão... Finges-te surda às minhas frases...

Surda: e nem ouves meu amargo pranto!
Cega: e nem vês a nova dor que trazes
À dor antiga que doía tanto!



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Soneto LXXV - Alphonsus de Guimaraens




Quando o Sol se Vai - óleo sobre tela de Paula França


Soneto LXXV
(Alphonsus de Guimaraens)

Como se moço e não bem velho eu fosse
Uma nova ilusão veio animar-me.
Na minh'alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.

Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se
Todo em raios que vinham desolar-me.

Vi-me no cimo eterno da montanha,
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.

Acordei do áureo sonho em sobressalto:
Do céu tombei aos caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi tão alto...



Dona Flor - Vicente de Carvalho




As Floristas - óleo sobre tela de Carlos Pinto


Dona Flor
(Vicente de Carvalho)

Ela é tão meiga! Em seu olhar medroso
Vago como os crepúsculos do estio,
Treme a ternura, como sobre um rio
Treme a sombra de um bosque silencioso.

Quando, nas alvoradas da alegria,
A sua boca úmida floresce,
Naquele rosto angelical parece
Que é primavera, e que amanhece o dia.

Um rosto de anjo, límpido, radiante...
Mas, ai! sob êsse angélico semblante
Mora e se esconde uma alma de mulher

Que a rir-se esfolha os sonhos de que vivo
- Como atirando ao vento fugitivo
As folhas sem valor de um malmequer...





Deusa Serena - Cruz e Souza




Contemplando a Criação - óleo sobre tela de Carlos Pinto


Deusa Serena
(Cruz e Souza) 

Espiritualizante Formosura
Gerada nas Estrelas impassíveis,
Deusa de formas bíblicas, flexíveis,
Dos eflúvios da graça e da ternura.

Açucena dos vales da Escritura,
Da alvura das magnólias marcessíveis,
Branca Via-Láctea das indefiníveis
Brancuras, fonte da imortal brancura.

Não veio, é certo, dos pauis da terra
Tanta beleza que o teu corpo encerra,
Tanta luz de luar e paz saudosa...

Vem das constelações, do Azul do Oriente,
Para triunfar maravilhosamente
Da beleza mortal e dolorosa! 




Pensamentos...



«Mesmo a mulher mais sincera esconde algum segredo no fundo do seu coração.» (Kant)

«Assim como se diz que a hipocrisia é o maior elogio da virtude, a arte de mentir é o mais forte reconhecimento da força da verdade.» (William Hazlitt)

«Conhecer a verdade não é o mesmo que amá-la e amar a verdade não equivale a deleitar-se com ela.» (Confúcio)

«A água corre tranqüila quando o rio é fundo.» (William Shakespeare)

«O repouso é bom, mas o tédio é irmão do repouso.» (Voltaire)

«Você será avarento se conviver com homens mesquinhos e avarentos. Será vaidoso se conviver com homens arrogantes. Jamais se livrará da crueldade se compartilhar sua casa com um torturador. Alimentará sua luxúria confraternizando-se com os adúlteros. Se quer livrar-se de seus vícios, mantenha-se afastado do exemplo dos viciados.» (Sêneca)

«É extremamente fácil enganar a si mesmo, pois o homem geralmente acredita no que deseja» (Demóstenes)

«Precisamos parecer um pouco com os outros para compreender os outros, mas precisamos ser um pouco diferentes para amá-los.» (Paul Géraldy)

«O que sabemos é uma gota e o que ignoramos é um oceano.» (Isaac Newton)

«Na atual sociedade, em que os valores estão invertidos, o dinheiro é capaz de comprar tudo, inclusive a verdade, a amizade e o amor. Mas, findo o dinheiro, esgotam-se, também, e ao mesmo tempo, as verdades, as amizades e os amores por ele comprados.» (Herbert Haeckel)

Curiosidades

Calcula-se que há 100 milhões de insetos para cada ser humano.

A maior borboleta do mundo é a Queen Alexandra Birdwing, encontrada numa pequena área da floresta tropical no norte da Papua Nova Guiné. A fêmea, que é maior que o macho, pode chegar a 31 cm de envergadura e ter massa de até 12kg. Está ameaçada de extinção, em razão da destruição de seu habitat natural.

O órgão sexual da aranha macha está localizado no final de uma de suas patas.

As abelhas possuem cinco olhos; três pequenos no topo da cabeça e os dois maiores na frente.

Alguns insetos conseguem viver até um ano sem a cabeça.

Uma barata pode viver até 6 dias sem a cabeça; acaba morrendo de fome, porque não tem como se alimentar.

As formigas comunicam-se por meio do olfato.

Mosquitos são atraídos duas vezes mais pela cor azul do que por qualquer outra cor.

O inseto com o maior cérebro em relação ao tamanho do corpo é a formiga.

Os mosquitos fêmeos chupam o sangue, porque necessitam das proteínas para desenvolver os ovos que carregam.

Uma asa de mosquito move-se mil vezes a cada segundo.

As moscas domésticas vivem apenas 2 semanas.

Os mosquitos causaram mais mortes do que todas as guerras juntas.

A luz dos vaga-lumes é produzida pela oxidação de uma substância química chamada luciferina na presença de uma enzima chamada luciferase, de ATP (fonte de energia) e de magnésio. A cor e o ritmo da luz variam de acordo com a espécie. O animal pode controlar a produção, a duração e a intermitência (quantas vezes acende e apaga) da luz. A luminescência é um aviso aos inimigos para que se afastem. Nos adultos, também tem a função de atrair a fêmea para o acasalamento.